O custo de contratar um funcionário sendo MEI envolve salário, FGTS, contribuição previdenciária patronal, férias, décimo terceiro e eventuais benefícios. Nesse cálculo, em 2026, sobre a remuneração aplicam-se, como encargos típicos do empregador MEI, 3% de INSS patronal e 8% de FGTS, totalizando 11%. Entretanto, esse percentual não representa o custo total da contratação.
Na prática, a despesa real pode ser maior do que a esperada. Portanto, calcular somente o salário anunciado na vaga pode comprometer o caixa, especialmente em negócios com receitas variáveis.
Quanto custa um empregado com salário mínimo em 2026?
O salário mínimo nacional vigente em 2026 é de R$ 1.621. Por exemplo, com esse valor, o INSS patronal de 3% corresponde a R$ 48,63 e o FGTS de 8% a R$ 129,68. Assim, somados ao salário bruto, esses valores chegam a R$ 1.799,31 em um mês comum, antes de férias, décimo terceiro, transporte e demais despesas.
Contudo, esse cálculo é ilustrativo e não representa uma tabela definitiva de custos. Além disso, quando a ocupação possui piso salarial superior ao mínimo, o orçamento precisa partir do piso aplicável. Por sua vez, a alíquota previdenciária descontada do trabalhador é diferente da contribuição patronal e não deve ser somada novamente como gasto extra da empresa.
Férias e décimo terceiro entram no planejamento
O décimo terceiro representa, de maneira simplificada, o equivalente a uma remuneração adicional ao longo do ano, nas condições legais. Além disso, as férias incluem o pagamento do período de descanso e o adicional constitucional de um terço. Por isso, o empreendedor deve provisionar esses valores, em vez de tratá-los como despesas inesperadas.
Para visualizar a ordem de grandeza, a reserva mensal simplificada de décimo terceiro sobre R$ 1.621 seria próxima de R$ 135,08. Da mesma forma, a provisão mensal simplificada do adicional de um terço de férias seria de cerca de R$ 45,03. Entretanto, também podem incidir contribuições e outros reflexos, conforme cada verba e as regras aplicáveis.
Desse modo, ao somar salário, encargos ordinários e essas reservas, o custo de referência já se aproxima de R$ 2 mil mensais, sem benefícios, substituições, verbas rescisórias ou particularidades da categoria. Ainda assim, esse total não equivale ao valor de um único boleto mensal.
O que pode deixar a contratação mais cara?
Vale-transporte, eventuais benefícios de convenção coletiva, horas extras, trabalho noturno, adicionais de insalubridade ou periculosidade e custos de saúde ocupacional podem elevar o gasto. Além disso, desligamentos podem envolver aviso-prévio, verbas rescisórias e multa do FGTS.
Um comércio com atendimento estendido pode demandar horas extras. Por outro lado, uma oficina pode exigir cuidados de segurança específicos. Por isso, duas empresas que pagam o mesmo salário não necessariamente terão a mesma despesa trabalhista.
Como funciona o recolhimento para MEI com empregado?
O MEI empregador informa remunerações no eSocial e gera o Documento de Arrecadação do eSocial (DAE) para recolhimentos previdenciários e do FGTS, observando os prazos legais. Esse recolhimento, portanto, é separado do DAS mensal do próprio MEI, que cobre as obrigações de seu enquadramento simplificado.

Além disso, a guia da folha inclui valores descontados do empregado e parcelas de responsabilidade do empregador. Dessa forma, é essencial distinguir o salário líquido do custo empresarial, que considera o salário bruto e os encargos patronais.
Como planejar uma segunda contratação em 2027?
A Lei Complementar nº 238/2026 permite até dois empregados ao MEI a partir de 1º de janeiro de 2027. Por isso, não use o salário mínimo de 2026 para fechar o orçamento definitivo do ano seguinte. Revise o novo mínimo, os pisos coletivos, o volume de vendas e as projeções de folha antes de formalizar a ampliação da equipe.
Imagine que sua operação precisa de uma pessoa para atendimento e outra para produção. Nesse cenário, a receita adicional esperada deve ser suficiente para suportar os dois postos mesmo nos meses de vendas menores. Portanto, a decisão precisa ser econômica e legalmente sustentável.
Perguntas frequentes sobre custos do empregado MEI
MEI paga 11% de encargos em vez de salário?
Não. Os 11% correspondem, em regra, a 3% de INSS patronal e 8% de FGTS calculados sobre a remuneração. Além disso, o empregador paga o salário bruto e precisa planejar férias, décimo terceiro, outros direitos e eventuais benefícios.
O INSS descontado do funcionário é mais um custo patronal?
Não exatamente. A parcela previdenciária devida pelo empregado é retida do salário, conforme a tabela aplicável, e recolhida pelo empregador. Portanto, não se deve confundir essa retenção com os 3% patronais, para não contar a mesma despesa duas vezes.
Vale a pena contratar alguém com faturamento baixo?
Depende da margem de lucro, da regularidade das vendas e do ganho de produtividade esperado. Afinal, um salário compatível com a lei não basta: a empresa precisa reservar recursos para obrigações anuais e períodos de baixa antes de contratar.
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Cleiton Sousa | Contador
Especialista em Contabilidade para MEI
Monetizei Contabilidade